E, então, reencontrou a força do seu desejo no próprio ambiente coletivo: a luta era a sua cura. Os seus semelhantes, que outrora humilhados, diminuídos, que estavam sozinhos e sofriam sozinhos, encontraram uma comunidade, um propósito comum. Os traumas da violência estrutural eventualmente pareciam tomar força novamente, mas no convívio social, resgataram o sentimento comunitário: poderiam contar uns com os outros. Ter descoberto que não estava só que poderia ser ajudado, mas principalmente, que poderia ajudar outras pessoas a lutar, trazia um sentimento de existir novamente (antes só resistia). A solidariedade se tornou uma via de mão dupla, onde antes só existia um trilho único. Resgatou seu sentimento de potência, se fez ouvir, ver, dizer... era alguém para aqueles muitos alguéns, que também representavam algo forte para si. Com a clareza das dificuldades, “A luta continua, companheiros”, era a frase que mais enchia seu coração. 9- A Luta como cura A cura está na luta Guiando o próprio caminho Junto aos companheiros que também escolheram os trajetos que levam a uma vida mais digna. As cicatrizes já não trazem a dor Mas lembram o passado de consciência sofrida com uma vida danificada, em uma situação precarizada. Juntos, aprendemos a lutar Juntos, temos a força para suportar as derrotas e avançar na ofensiva pelos direitos básicos e um outro mundo imaginar. A cura está na luta