Coágulos de fé escorrem das bocas dos santos infectos, Respingos de culpa caem como bílis sobre quem pensa, Ulceram-se as almas que não rezam no ritmo imposto, Zombarias sagradas apodrecem dentro de cada dogma, Exalam cadáveres morais das escrituras fossilizadas, Sem decência, pregam pureza em púlpitos de pus. Nas mãos dos justos, a justiça vira lâmina rombuda, Ânsias de poder fermentam no suor dos templos, Outros são crucificados por respirar diferente. Rancores divinos esfolam a carne dos descrentes, Escorpiões espirituais picam quem ousa discordar, Deram ao ódio o nome de verdade Insultam a liberdade com salmos de veneno, Mutilam consciências para caberem na fé alheia, Enquanto vendem salvação como antídoto de mentira, Mastigam destino como vermes no cadáver da empatia. No monte infame onde o sangue virou dogma, Impuseram coroas de vergonha aos livres, Negaram humanidade para preservar o altar, Gritaram amor enquanto erguiam a forca, Uniram medo a divindade e chamaram isso de moral, Este é o preço para quem não se ajoelha: Morrer vivo sob a sombra viscosa da Culpa.