222 Dias de Calor Extremo Lyrics


Caindo eternamente

No vazio do tempo de horror

O que vai me recompor?

Se o calor me desvanece

A cada hora que passa

Minha mente se contrai

Suas ondas me amassam

Minha vida se desfaz

Me sonha um paraquedas

Que amacia minha falta

A separação de nossa era

Do grande corpo da Terra

Olha onde teu excepcionalismo foi parar

Tua sede de capturar mundos integrados

E aplainar vidas sincronizadas com o mar

Pra extorquir do planeta seus espaços

Dança civilizada

Peste ambulante

O calor vai rachar teu corpo

O planeta vai se vingar

Duzentos e vinte e dois dias

de calor extremo por ano

Não vai sobrar tempo nem pra respirar a fumaça

Projeto em meu sonho

Uma habitação nova

Reconexão com o solo

Meu canto é a minha fala

Nunca mais me sufoca

Com uma fuga do real

O casulo humano implode

No futuro ancestral

Caindo eternamente

No vazio do tempo de horror

O que vai me recompor?

Se o calor me desvanece

A cada hora que passa

Minha mente se contrai

Suas ondas me amassam

Minha vida se desfaz

Me sonha um paraquedas

Que amacia minha falta

A separação de nossa era

Do grande corpo da floresta

Chame do que for

Caos social

Desgoverno geral

Desastre de nosso tempo

Era do fogo

Do calor extremo

Sexta extinção em massa

Antropoceno

“A gente vive sobre emergência climática, então isso exige que nossas ações sejam radicalmente enfáticas. A causa primária que coloca o Brasil entre os maiores emissores em questão de mudança climática no mundo é a questão do agronegócio, não tem como tratar de queimada no Brasil sem tratar da questão fundiária. A gente tem uma obrigação quase que moral e ética como espécie de fazer o que for necessário para poder barrar essa catástrofe climática e ecológica. Essas questões juntas estão já nos atrapalhando agora no presente e isso tende a piorar no futuro, mas ainda há tempo. Claro que, toda vez que a gente se atrasa, vai ficando mais complicado, a tarefa vai ficando mais gigantesca ainda. Então quando a gente discute uma transição socioecológica a gente tá falando que tem que ter começado ontem. A gente vai ter que construir condições pra se tornar talvez mais fácil daqui a 20 ou 30 anos.”

Sabrina Fernandes, em entrevista para o ICL