Caindo eternamente
No vazio do tempo de horror
O que vai me recompor?
Se o calor me desvanece
A cada hora que passa
Minha mente se contrai
Suas ondas me amassam
Minha vida se desfaz
Me sonha um paraquedas
Que amacia minha falta
A separação de nossa era
Do grande corpo da Terra
Olha onde teu excepcionalismo foi parar
Tua sede de capturar mundos integrados
E aplainar vidas sincronizadas com o mar
Pra extorquir do planeta seus espaços
Dança civilizada
Peste ambulante
O calor vai rachar teu corpo
O planeta vai se vingar
Duzentos e vinte e dois dias
de calor extremo por ano
Não vai sobrar tempo nem pra respirar a fumaça
Projeto em meu sonho
Uma habitação nova
Reconexão com o solo
Meu canto é a minha fala
Nunca mais me sufoca
Com uma fuga do real
O casulo humano implode
No futuro ancestral
Caindo eternamente
No vazio do tempo de horror
O que vai me recompor?
Se o calor me desvanece
A cada hora que passa
Minha mente se contrai
Suas ondas me amassam
Minha vida se desfaz
Me sonha um paraquedas
Que amacia minha falta
A separação de nossa era
Do grande corpo da floresta
Chame do que for
Caos social
Desgoverno geral
Desastre de nosso tempo
Era do fogo
Do calor extremo
Sexta extinção em massa
Antropoceno
“A gente vive sobre emergência climática, então isso exige que nossas ações sejam radicalmente enfáticas. A causa primária que coloca o Brasil entre os maiores emissores em questão de mudança climática no mundo é a questão do agronegócio, não tem como tratar de queimada no Brasil sem tratar da questão fundiária. A gente tem uma obrigação quase que moral e ética como espécie de fazer o que for necessário para poder barrar essa catástrofe climática e ecológica. Essas questões juntas estão já nos atrapalhando agora no presente e isso tende a piorar no futuro, mas ainda há tempo. Claro que, toda vez que a gente se atrasa, vai ficando mais complicado, a tarefa vai ficando mais gigantesca ainda. Então quando a gente discute uma transição socioecológica a gente tá falando que tem que ter começado ontem. A gente vai ter que construir condições pra se tornar talvez mais fácil daqui a 20 ou 30 anos.”
Sabrina Fernandes, em entrevista para o ICL